Folar de Olhão

03-04-2020

Conhecido antigamente como "folore", o folar da Páscoa é uma tradição viva portuguesa. Levada a sério, requer uma coreografia de oferendas entre madrinhas e afilhados durante a época da Páscoa: os afilhados levam, no Domingo de Ramos, um ramo de violetas às madrinhas e, mais tarde, no Domingo de Páscoa, as madrinhas oferecem aos seus afilhados um folar, servindo este bolo para simbolizar os laços afectivos entre eles.

Em diversas zonas do Algarve a tradição dita que na segunda-feira a seguir à Páscoa, se vá até ao monte ou para junto de uma ribeira comer o folar.

De entre os vários folares portugueses, o folar do Algarve é dos mais populares. E, mesmo dentro desta nossa relativamente pequena região, o bolo sofre alterações, havendo uns mais doces e outros menos, uns mais secos e outros mais húmidos, uns com ovo e outros sem.

O folar de folhas (também conhecido como folar de Olhão) é o folar algarvio mais conhecido. Tradicionalmente confeccionado num tacho velho, é costume o bolo ter um travo a laranja e a medronho. Mas aquilo que o distingue dos demais é mesmo a sua composição invulgar: tem camadas sobrepostas e intercaladas por uma calda composta por açúcar, manteiga e canela; as folhas caramelizadas secam com o passar dos dias mas não solidificam e, por isso, a massa mantém-se húmida e deliciosa.

O Folar de Olhão tem origem popular e foi criado por Maria Eugénia Rita, há mais de meio século, que explica como tudo começou: "A minha mãe fazia estes folares mas nunca abriu uma loja. Ela preparava-os em casa e vendia-os aos vizinhos. Mais tarde, em tempos difíceis, fiquei viúva, tinha filhos e precisava de um sustento. Então lembrei-me dos folares que a minha mãe fazia. Um tio meu era dono de um armazém e eu fui para lá: comprei uma mesa e um forno. Foi ali que comecei a fazer os bolos. Mais tarde comprei uma casa onde montei uma fábrica e um negócio a sério."

Então para o nosso folar vamos precisar do seguinte,

Ingredientes:

Sumo de 2 laranjas

50 ml de água

Q.b. de sal

150 g de margarina

1 cálice de aguardente

11 g de fermento granulado (Fermipan)

500 g de farinha de trigo tipo 55

1 c. café de erva doce

Q.b. manteiga derretida

Q.b. açúcar amarelo

Q.b. canela em pó

Q.b. raspa de limão

Preparação:

Amornar a água e diluir o fermento.

Adicionar a margarina amolecida, o sal, o sumo da laranja, a raspa de limão e o cálice de aguardente.

Depois de bem misturado, acrescente a farinha, e a erva doce.

Amasse muito bem até obter uma mistura homogénea.

Pode utilizar um tacho com cerca de 18 cm de diâmetro e fazer apenas 1 bolo ou então utilizar tachos mais pequenos e dividir a massa ao meio.

Untar o tacho com margarina e polvilhar com a mistura de canela e açúcar.

Com a massa fazer um rolo e dividir esta em fatias.

Estender a massa em círculos com um diâmetro mais pequeno que o tacho.

Pincele cada círculo de massa com a margarina, polvilhe com o açúcar amarelo com a canela.

O açúcar entre as camada de massa deve ser suficiente para dar doce à massa e ainda para criar como que um molho.

Deixar levedar cerca de 1 hora, num lugar com uma temperatura amena, ou então no forno a muito baixa temperatura.

Quando a massa estiver pronta, voltar a polvilhar com açúcar e canela e levar ao forno pré-aquecido a 180º C cerca de 40 minutos, ou até que fique cozido, fazendo o teste do palito.

De uma forma geral, no norte do país o folar é mais salgado e costuma incluir enchidos; à medida que se vai descendo para o centro e o sul, o folar vai ficando mais docinho; no Algarve, claro, é tão doce quanto possível. (Amén.)

Nota: conheço pelo menos duas receitas do Folar de Olhão, e dois formatos do folar. O folar tradicional de Olhão é feito em camadas umas por cima das outras. Nas redondezas de Faro encontramos outro folar que é feito com os mesmos ingredientes, mas o formato é enrolado tipo o caracol.

Eu escolhi esta receita por falta de certos ingredientes que leva a outra receita.

Deixo aqui um vídeo onde podem ver a outra receita deste folar.

Espero que gostem da receita.

Bon Appetit.

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